Não lembro a primeira vez que o vi. Cá entre nós, André nunca foi o mais bonito da sala, o mais popular da escola, jogava futebol tão ruim quanto se possa imaginar e, de quebra, ainda era implicante. Acho que foi por isso que sempre gostei dele. Na época, admito, eu não era muito boa com desafios – consequentemente, não era muito boa com rapazes. Além de tudo, a timidez tinha sobre mim um controle assustador – talvez eu tenha aprendido com o tempo que ninguém já nasce sabendo como se comportar diante de um homem. A gente aprende isso do jeito mais difícil e, por várias vezes, constrangedor: fazendo besteira e complicando tudo.
Para completar, ele não era exatamente um exemplo de ''homem conquistador''. Muito reservado e, por vezes até introspectivo em excesso, o comportamento dele em relação a um envolvimento amoroso entre nós era... Bom, não existia esse comportamento. À medida que fomos nos tornando amigos, ao invés do André aproveitar momentos íntimos que sempre surgem para dar algum passo à frente na nossa trajetória até algum relacionamento além da amizade, ele preferia se divertir me fazendo passar por constrangimentos públicos, implicando com o meu corte de cabelo, me distraindo durantes as aulas... Enfim, ele estava mais para ''o garoto que eu odiava'' que para meu ''futuro namorado''. Estava mais para ''menino'' que para ''homem''. E quem poderia culpá-lo?
Éramos crianças, afinal. E talvez isso que tenha tornado o nosso relacionamento mais bonito. Nós crescemos juntos – conhecemos o comportamento um do outro desde o mais infantil até o mais maduro. Confesso que não foi tudo sempre bonito e nós passamos por várias complicações até finalmente chegarmos ao ponto pelo qual eu espero, ainda que inconscientemente, desde a nossa primeira briga, primeira conversa confidencial ou primeira ida ao cinema: o status namorando, que a nós sempre pareceu algo naturalmente adquirido.
Lindo, não? Primeiro amor, primeiro namorado aos 15 anos... Nada mais clássico, a não ser pelo fato de que nós não éramos, nem de longe, um casal clássico. Acho que é isso que torna as coisas mais marcantes – de fato, é o que torna tudo mais difícil de ser encarado pelo lado ruim da história, porque era de se esperar que romances que nascem de forma tão pura e sincera, cercados de tanto cuidado, dessem sempre certo. Mas acontece que nem sempre dão – e quando dão errado, veja só, dão realmente errado.
Não que seja culpa dele – mas também não sei se devo me culpa por essa incapacidade de manter um rumo. Eu até tento: traço meus objetivos e vou caminhando em linha reta, sem olhar para os lados, sem tropeçar, sem vacilar ou mesmo cogitar outra hipótese. Mas depois de um certo tempo assim, eu começo a dar umas olhadas para trás, começo a reavaliar aquilo que eu quero, começo a querer cair fora – mesmo que no fundo eu saiba que não há nada mais no mundo que eu queria a não ser ficar, apenas ficar.
Acho que foi ou menos isso que eu senti desde a primeira vez que eu falei com o Heitor.
Para completar, ele não era exatamente um exemplo de ''homem conquistador''. Muito reservado e, por vezes até introspectivo em excesso, o comportamento dele em relação a um envolvimento amoroso entre nós era... Bom, não existia esse comportamento. À medida que fomos nos tornando amigos, ao invés do André aproveitar momentos íntimos que sempre surgem para dar algum passo à frente na nossa trajetória até algum relacionamento além da amizade, ele preferia se divertir me fazendo passar por constrangimentos públicos, implicando com o meu corte de cabelo, me distraindo durantes as aulas... Enfim, ele estava mais para ''o garoto que eu odiava'' que para meu ''futuro namorado''. Estava mais para ''menino'' que para ''homem''. E quem poderia culpá-lo?
Éramos crianças, afinal. E talvez isso que tenha tornado o nosso relacionamento mais bonito. Nós crescemos juntos – conhecemos o comportamento um do outro desde o mais infantil até o mais maduro. Confesso que não foi tudo sempre bonito e nós passamos por várias complicações até finalmente chegarmos ao ponto pelo qual eu espero, ainda que inconscientemente, desde a nossa primeira briga, primeira conversa confidencial ou primeira ida ao cinema: o status namorando, que a nós sempre pareceu algo naturalmente adquirido.
Lindo, não? Primeiro amor, primeiro namorado aos 15 anos... Nada mais clássico, a não ser pelo fato de que nós não éramos, nem de longe, um casal clássico. Acho que é isso que torna as coisas mais marcantes – de fato, é o que torna tudo mais difícil de ser encarado pelo lado ruim da história, porque era de se esperar que romances que nascem de forma tão pura e sincera, cercados de tanto cuidado, dessem sempre certo. Mas acontece que nem sempre dão – e quando dão errado, veja só, dão realmente errado.
Não que seja culpa dele – mas também não sei se devo me culpa por essa incapacidade de manter um rumo. Eu até tento: traço meus objetivos e vou caminhando em linha reta, sem olhar para os lados, sem tropeçar, sem vacilar ou mesmo cogitar outra hipótese. Mas depois de um certo tempo assim, eu começo a dar umas olhadas para trás, começo a reavaliar aquilo que eu quero, começo a querer cair fora – mesmo que no fundo eu saiba que não há nada mais no mundo que eu queria a não ser ficar, apenas ficar.
Acho que foi ou menos isso que eu senti desde a primeira vez que eu falei com o Heitor.
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